Justiça denuncia 11 policiais no triplo homicídio da 113 Sul

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Mais uma reviravolta no misterioso assassinato do ex-ministro do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) José Guilherme Villela, da mulher dele, a advogada Maria Viella e de Francisca da Silva, uma das empregadas do casal.  A Justiça denunciou 11 policiais. Entre eles nove policiais civis, um militar e um ex-policial militar. A acusação é de tortura, supressão de documentos e abuso de autoridade.

A Polícia Civil afirma que investiga o suposto envolvimento de policiais nas prisões dos suspeitos e garante que é a corporação é a que mais pune seus integrantes por desviou de conduta. O diretor-geral, delegado Jorge Xavier, garante que a instituição não apoia deslize de policiais. “Somos rigorosos e não permitimos maus profissionais” disse.

As denúncias contra os policiais foram feitas pelos Núcleos de Investigação e Controle Externo da Atividade Policial e de Combate à Tortura, do Ministério Público do Distrito Federal e Territórios (MPDFT) nesta quarta-feira (17), mas só nesta quinta-feira (18) veio a público. Os policiais teriam cometido os crimes durante a investigação do triplo homicídio, ocorrido no apartamento do casal, na quadra 113 Sul, dia 28 de agosto de 2009.

O crime foi marcado por polêmica e acusações contra policiais durante a investigação. Alguns deles, já comprovadamente, foram injustiçados. Outros, como a delegada Martha Vargas, ex-titular da 1 DP (Asa Sul) e que iniciou as investigações, ainda buscam reparar os danos causados na profissão.

Muitas questões ainda nebulosas precisam ser esclarecidas, segundo fontes policiais que trabalharam na investigação. Três homens estão presos por envolvimento no caso. Porém, um deles é inocente. Apenas o ex-porteiro Leonardo Campos Alves e o cunhado participaram efetivamente das mortes. O Tênis que Leonardo usava no dia do crime e pisou no sangue das vítimas, ficou em Montalvânia (MG) e não estaria no inquérito como uma das provas.

A fonte questiona ainda porque o sigilo telefônico de Leonardo não foi quebrado? Quem teria sequestrado Michele, filha do ex-porteiro, no Recanto das Emas, quando ela teria ficado cinco dias desaparecida? Um policial civil aposentado teria prestado depoimento e falou das chaves apreendidas no início da investigação. Mas com certeza o MPDFT e o Judiciário vão esclarecer essas questões e o crime bárbaro.

As vítimas morreram com mais de 70 facadas. O assassinato ocorreu em uma área nobre de Brasília e dentro de um apartamento num prédio movimentado, mas os corpos só foram encontrados no dia seguinte à noite, pela neta do casal, que atualmente é agente da Polícia Civil e um ex-namorado dela, um policial federal.

Segundo o MPDFT, sete dos policiais denunciados participaram da prisão de Leonardo, em Montalvânia (MG), dia 15 de novembro de 2010. A prisão teria sido efetuada por policiais da Coordenação de Investigação de Crimes Contra a Vida (Corvida) e a 8ª Delegacia de Polícia (SIA).

De acordo com o MPDFT, o delegado da 8ª DPJosé Roberto Soares Batista foi denunciado por tortura, abuso de autoridade, e supressão de documentos; os agentes Sidney Pacheco Monteiro, Edi Vânia Santana, Helton Lopes Tavares, Edelviges Felipe de Oliveira Neto, Maria do Socorro Pinto e o policial militar José Leôncio de Araújo por abuso de autoridade e tortura. Enquanto os agentes José Raimundo Mendes de Carvalho, Keve Joaquim Amancio da Gama, Joaquim Ezequiel Machado e o ex-agente Estanislau Dantas Montenegro estão respondendo por tortura.

Este é mais um dos tantos desdobramentos. Inicialmente, o triplo assassinato foi investigado pela 1ª Delegacia de Polícia, responsável por casos ocorridos na Asa Sul. No entanto, em decorrência de suposta irregularidades na prisão inicial de suspeitos, a Direção-Geral da Polícia Civil do DF na época, instituiu uma comissão para dar continuidade às investigações. Três meses depois, o caso foi transferido para a Coordenação de Investigação de Crimes contra a Vida (Corvida) e surgiram acusações de supostas irregularidades na investigação inicial.

Mas não só a Corvida ficou com o caso. Policiais da 1ª e da 8ª DP também investigaram o caso paralelamente. A delegada Martha Vargas, foi denunciada pelo MPDFT por falsidade ideológica, fraude processual, denunciação caluniosa, violação de sigilo funcional, favorecimento pessoal e tortura. No entanto, ela sempre jurou inocência e já ganhou algumas ações na justiça provando sua inocência.

A 8ª DP sempre negou a investigação paralela e afirma que entrou na investigação por acaso, quando um ex-presidiário ouviu na prisão a revelação do crime e procurado a unidade policial para informar o que teria ouvido. O então delegado Elivaldo Ferreira de Melo, sob o comando da delegada Deborah Souza Menezes, formulou pedido de prisão temporária de Leonardo Campos Alves, bem como busca e apreensão na residência do suspeito, em Montalvânia, e na de sua filha Michelle da Conceição Alves, no Recanto das Emas. O pedido foi aceito pela Justiça do DF, mesmo sem o depoimento obrigatório ao Ministério Público.

Com os mandados expedidos, a delegada Deborah Menezes encaminhou os agentes da 8ª DP Sidney Pacheco Monteiro, Edelviges Felipe de Oliveira Neto, Helton Lopes Tavares, Maria do Socorro Pinto e Edi Vânia Santana, além do delegado José Roberto Soares Batista, à cidade mineira. O sargento da PM do DF José Leôncio também integrou a equipe.

De acordo com a denúncia do MPDFT, o ex-diretor-geral da PCDF, Pedro Cardoso, e o ex-diretor do Departamento da Polícia Circunscricional, André Victor do Espírito Santo, sabiam da ida dos policiais a Minas Gerais. Em 15 de novembro de 2010, os policiais efetuaram a prisão de Leonardo na casa de sua sogra dele, sem autorização judicial.

O MPDFT afirma também que durante a diligência objetos foram quebrados e um tiro disparado. Leonardo foi levada até o município de Manga, também em Minas Gerais. O objetivoera mantê-lo incomunicável e distante de seus familiares e conhecidos. No trajeto, os policiais teriam levado o suspeito para um matagal e constrangeram-no com emprego de violência e grave ameça, causando-lhe sofrimento físico e mental, para que ele confessasse as mortes.

Ainda de acordo com o MPDFT, no mesmo dia, após Leonardo receber socos e ameaças de morte, confessou a participação no crime, mas sem dar detalhes. Insatisfeitos, os policiais o levaram à cidade de Montes Claros (MG). No percurso, ele foi mais uma vez torturado. Enquanto o pai era torturado, a filha Michelle, foi localizada no Recanto das Emas. A jovem também foi vítima ao mesmo tempo dos policiais José Raimundo de Carvalho, Keve Joaquim da Gama, Joaquim Ezequiel Machado e do ex-agente Estanislau Montenegro.

Os policiais colocaram Leonardo em contato com Michelle e informaram que ela tinha sido sequestrada. Com medo do que pudesse acontecer com a filha, Leonardo apresentou a versão supostamente verdadeira do crime. A revelação do MPDFT está em uma nota enviada à imprensa pela sua assessoria de comunicação.

Com mais essa reviravolta é provável que ainda tenhamos um novo round para se conhecer mais detalhes do “Caso da 113 Sul”. Com certeza os policiais citados devem se manifestar e trazer detalhes ainda mais apimentados. Vamos aguardar para sabermos como fica a acusação de que Adriana Villela, filha do casal é a mandante da morte dos pais e da empregada.

 

Por Luis Augusto Gomes

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